Publicado por: lucasvmbs | 2 de novembro de 2010

Tire os óculos

As pessoas são excessivamente preocupadas com a opinião alheia. Por mais que você esteja lendo isso agora e pensando “não, eu não sou”, eu digo “sim, você é”. Em alguns casos as pessoas são absurdamente influenciadas pela opinião pública, e em outros casos é mais inconsciente. Mas quase sempre são influenciadas.

Coloque um fone de ouvido com uma música ótima, que você goste muito, animada, e saia pelas ruas cantando muito alto e dançando. E sem beber nada. Duvido. Quem fizer isso me mande o vídeo que eu dou um prêmio surpresa. Ninguém faz isso porque as pessoas têm vergonha. Vergonha de conhecidos e até mesmo de estranhos, que provavelmente nunca mais verão na vida.

Se eu visse alguém cantando e dançando na rua com fones de ouvido, acharia muito legal. Muita gente também acharia legal, tenho certeza. Mas mesmo que todo mundo achasse que o dançarino dos fones fosse louco, qual o problema? O que a opinião dessas pessoas iria alterar na vida dele? Nada.

E essa preocupação está em tudo que fazemos. Das roupas que vestimos aos costumes. Em tudo. Somos bichinhos moldados pela sociedade. Se tivéssemos nascido na Palestina, talvez achássemos legal ser um homem-bomba. O melhor churrasqueiro que você conhece, se tivesse nascido na Índia não comeria carne de vaca, pois é sagrada. E assim vamos, como um rebanho, seguindo os passos do coletivo que nos rodeia.

E chorar, é feio? Óbvio que não é legal, ninguém gosta de chorar de tristeza. É um momento ruim. Mas não é feio, tampouco vergonhoso. E num enterro ou velório é mais natural ainda. Então por que as pessoas usam óculos escuros? Seria pra esconder ou tentar camuflar um choro? Obviamente que não estou falando de enterros ao ar livre, onde tem sol e o uso dos óculos se justifica.

Mas, sobretudo em velórios fechados: pra que os óculos? Acho isso muito inexplicável. Primeiro porque é uma resposta à pressão social num momento em que a gente não devia se preocupar com nada de irrelevante, muito menos com isso. E segundo que é uma preocupação bisonha, visto que não tem problema nenhum chorar.

E óbvio que eu, mesmo escrevendo isso e sabendo disso tudo, também sou mega-influenciado pela sociedade. Influenciado e pressionado. Mas quando me dou conta da bizarrice sem nexo que estou fazendo, tento ignorar tudo e agir conforme o bom senso e a lógica. Não vou mais de óculos escuros a enterros. “Estou chorando sim, qual o problema?”

Em compensação, levar os óculos para o cinema não seria má ideia. Se eu começar a me emocionar em público assistindo a um Marley & Eu, com certeza vou tentar engolir o choro. Não me pergunte por quê. Sou apenas uma ovelhinha. Béééé.

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Publicado por: lucasvmbs | 22 de outubro de 2010

Mundo Anti-FDP

Sim, esse é um texto pessimista/negativista, que ignora todas as coisas belas que os seres humanos são capazes de realizar. Fica pra próxima abordar um tema belo. Ou não.

A questão é que o mundo de hoje está cada vez mais moldado para combater, ou pelo menos tentar conter, a filhadaputice humana. Sim, grande parte dos seres humanos são filhos da puta. Não no sentido maternal e literal da coisa, é no sentido de serem sacanas, malfeitores, idiotas e sacripantas.

Olhe ao seu redor. Você provavelmente está agora em algum estabelecimento, seja residencial ou comercial, que possui uma fechadura. Portas trancadas, grades e portões estão o separando da rua. Tudo isso porque tem meia dúzia de filho da puta que entraria aí onde você está agora e roubaria tudo, se o acesso fosse livre. Aliás, eles o fazem mesmo com todo o aparato supracitado.

Existem países com mais ou menos níveis de filhadaputice. Fatores econômicos, sociais e culturais meio que ditam essas regras. No Brasil, por exemplo, estádios de futebol possuem fossos enormes separando torcida e gramado. Ou telas, grades, etc. Se não tivesse ia ter sempre um filho da puta entrando em campo pra protestar, agredir alguém, abraçar um ídolo, ou simplesmente pra aparecer. O ser humano é incrivelmente programado pra fazer merda. É necessário colocar um fosso pros animais não invadirem. E na Europa a solução é diferente: não tem fosso, mas tem punição. Quem invade tá fudido. Não pensem que os europeus são geneticamente mais evoluídos e por isso não invadem. É que lá o pau come. Se rolasse impunidade ia ser uma várzea idêntica ou pior.

Esses dias me deu um nó mental ao tentar acessar meu banco pela internet. Além da senha do cartão de crédito, tem a senha da internet. E tem a senha do e-mail, do Orkut, do Twitter, do Facebook, do MSN, de tudo. Tudo porque, se não tivesse, uns filhos das putas iam entrar nas contas dos outros pra fazer merda. Tipo, por mais errado que seja, até dá pra entender um cara que entra na tua casa e rouba tua televisão. Ele vai vendê-la e faturar. Mas se esse meu Blog não tivesse senha, algum idiota entraria, escreveria merda, ou deletaria tudo, sei lá. MAS ELE NÃO IA GANHAR NADA COM ISSO. Só ia me prejudicar. É a mesma lógica dos vírus de computador. É a filhadaputice gratuita.

Senhas, grades, fossos, câmeras, tudo que nos rodeia é feito pra combater a filhadaputice humana. E quanto mais as tecnologias avançam, mais os filhos das putas melhoram suas técnicas de filhodaputiciar. E os mecanismos para combatê-los vão melhorando junto. E assim vai, até sabe-se lá onde.

 

Publicado por: lucasvmbs | 9 de setembro de 2010

A glória da derrota

Estava eu vendo televisão madrugada afora esses dias, e por acaso esbarrei no filme “2 Filhos de Francisco”. Faltavam uns 20 minutos pro fim. Fiquei assistindo. Já tinha visto o filme, mas revi o final, pois sabia que estava próximo de chegar ao desfecho da trama, ao momento da glória e da volta por cima. Ah, é legal. Os caras passaram fome a vida inteira, tiveram que lidar com uma morte prematura na família, jogaram todas suas fichas (literalmente) numa tentativa ousada (e até improvável) de sucesso, e venceram. É uma bela história, sem dúvidas. E com um “gran finale”

Mas o que torna essa história interessante – e talvez todas as histórias bonitas – são os momentos de dificuldade. Com todo respeito ao Fiuk: um filme contando a trajetória da banda dele não seria legal. O cara é filho do Fábio Júnior e virou ator da Malhação. Acho que se ele tocasse vuvuzela ia ter fã clube, público bom nos shows e tudo mais. Não tinha erro, ele já nasceu com o sucesso da sua banda engatilhado. E mesmo que a banda acabe, morrer de fome ele não vai. Já a história de Zezé di Camargo e Luciano virou filme justamente porque tudo indicava que eles não tinham boas perspectivas. É esse o grande ponto.

Só existe escuro porque existe o claro. Se fosse noite sempre, a gente não chamaria aquilo de escuridão, pois aquilo seria o normal, o de sempre. Se todo mundo fosse igual à Gisele Bündchen e ao Tom cruise, ninguém seria bonito, nem feio. Um só existe graças ao outro. A vitória só é magnífica por causa da derrota. Se teu time fosse Campeão Mundial todos os anos, lá pelo 7º título consecutivo já ia ser meio chato, passível de nem se comemorar, talvez. Mas todos os anos de derrotas acumuladas são os responsáveis pela explosão de alegria e pelo extravasamento total na vitória. Já diziam Los Hermanos: “quem sempre quer vitória e perde a glória de chorar”.

Nos meus 25 anos de gremista, foram poucas vezes que me arrepiei como num desses últimos jogos, contra o Guarani. A torcida gremista vive um dos piores momentos desses últimos tempos: time próximo à Zona do Rebaixamento no Brasileiro e Inter atual Bicampeão da América, igualando nosso feito em apenas 4 anos. Todo gremista anda cabisbaixo, triste, desconfiado, ferido. É inevitável. Pois nesse jogo, no péssimo horário das 19h30min, chovendo forte, com o time mal, 30 mil torcedores foram empurrar a equipe. Até aí tudo bem. Fui na Geral. De repente, perto do início do jogo, os geraldinos explodiram num canto empolgante, todos pulando, o estádio veio junto, me arrepiei. Aquele povo dizendo que não abandonou o Grêmio, mostrando que estava lá, mesmo nesse momento horroroso. Isso pra mim foi mais emocionante do que muita vitória. Isso renderá lágrimas no dia que meu Tricolor voltar a ser vitorioso. São por causa desses dias que as conquistas purificam a alma.

O mesmo vale para o nosso rival, o Inter. Em 2006, quando saíram de um jejum gigantesco de títulos, a coloradagem foi ao delírio, e com toda a razão. É assim que funciona. Agora estão repetindo as façanhas e o ímpeto e delírio nas comemorações já não são mais os mesmos, dá pra sentir. É natural.

Esse texto não é uma apologia ao fracasso. Não estou dizendo para sermos derrotistas, perder emprego, fazer tudo errado e achar isso bonito. Claro que não. Bem pelo contrário. Estou dizendo que os momentos ruins podem servir de motivação pra sairmos da zona de conforto e darmos a volta por cima, com maior ímpeto e gana.

Tenho um amigo, colega de banda e ex-colega de trabalho, que é designer, artista plástico e poeta: o Pedro Gutierres. Adoro uma frase dele que diz o seguinte: “o que me consola é o amanhã”. É por aí. Não só no futebol ou em aspirantes a duplas sertanejas. É pra tudo. É pra vida.

Publicado por: lucasvmbs | 29 de agosto de 2010

Isso é música

Não interessa o estilo musical. Acho que uma boa música, por mais clichê que possa soar, é aquela que vem de dentro. Eu sou muito eclético, gosto de músicas dos mais diferentes gêneros. E é óbvio que algumas músicas das quais eu gosto são criadas sob a batuta de um produtor, são construídas sob supervisão de empresário, palpite de um, ideia de outro, letra composta dentro de um padrão, etc. Não dá pra fugir disso. Mas existem músicas que nasceram desse modo frio e planejado que são boas. Não estou dizendo que é impossível encontrar qualidade com esse método. Mas nada como ouvir algo sincero, quase que arrotado pelo músico.

Não sou músico, mas por ter amigos e parentes que são – ou metidos a – e por fazer parte de uma banda, acabei me envolvendo bastante com isso. Frequentei estúdio, seja pra gravar, seja para ensaiar, ou até mesmo para só ficar olhando tomando uma cervejinha. Nessas incursões a estúdios porto alegrenses reparei muito nos cuidados que se tem ao gravar alguma música. E até acho válido tudo isso. É o acerto de um tom aqui, correção na voz acolá, tirar ruído da guitarra, acrescentar efeito de auto tune, copiar um trecho bom do início e colar no fim da música, enfim, no fim das contas tudo é feito pelo computador praticamente. Fica bonitinho o resultado, fica agradável de ouvir e tudo mais. Mas sei lá, me deixa um pouco frustrado.

Volta e meia eu componho algumas músicas também. Mas é no amadorismo total. Um tema me vem na cabeça, saio escrevendo umas bobagens e ponto final. Quem é mais “metido a profissional”, normalmente se apega a algumas “regrinhas”. Para ser comercial, recomenda-se que uma música não tenha mais de 4 minutos, que tenha um refrão com um tamanho X, estrofes auxiliares de tamanho Y, e esse refrão tem que ser repetido com uma frequência W. É uma coisa assim. E não duvido que funcione, insisto em deixar claro. Acredito nessa fórmula. O ser humano é um troço muito previsível e manipulável. Tenho convicção que essas normas para a construção de uma música sejam válidas. Mas é o mesmo que eu fazia quando jogava Elifoot.

Eu baixava um programinha pra roubar no Elifoot. Um programinha que transformava meus jogadores em muito melhores que a média, multiplicava meu dinheiro, etc. Funcionava. Eu ganhava tudo. Não perdia um jogo sequer. Goleava a maioria. Mas não era tão legal. Funcionava, mas perdia a graça.

Olhem esse vídeo do Buka White. Segundo meu tio (metido a músico, hehe) ele é tio do B. B. King, o grande fenômeno do Blues. Dá gosto de vê-lo tocando. Parece que aquilo tá sendo jogado pra fora com uma sinceridade contagiante. Ele parece estar se divertindo, antes de tudo. E ao contrário de algumas bandinhas produzidinhas e bonitinhas que vemos por aí, esse cara parece ter música nas veias. Ele quase destrói o violão, mas com uma naturalidade assustadora. Pra mim, ISSO é música. É uma expressão que é jogada pra fora, escarrada, vomitada, jorrada. Com erros, com acidentes sonoros que tornam tudo até mais legal. Mas com sinceridade e diversão.

Abraço,
Lucas von.

Publicado por: lucasvmbs | 6 de agosto de 2010

Com certeza, é seguir trabalhando

Tem gente que pega no pé de jornalistas esportivos que tentam ser diferentões, engraçadinhos. Tipo as matérias do Régis Röesing, ou as “crônicas” do Tadeu Schmidt. Sinceramente, por mais que eu não ria de tudo que eles fazem ou dizem, acho MUITO louvável essa tentativa de fugir do lugar comum. Sobretudo no ESPORTE.

É mais complicado alguém tentar inovar muito num jornalismo convencional. Por exemplo, anunciar a morte de alguém sambando ou falar da queda do dólar com o novo quadro “Dólar Cheio, Dólar Murcho” não iam ser boas ideias. Acho que não. Quem está interessado na notícia da morte ou do dólar provavelmente quer um texto que vá direto ao ponto. Quer ser INFORMADO e não ENTRETIDO. Só que o futebol e o esporte como um todo fazem parte do entretenimento. Nesse caso acho que a INFORMAÇÃO pura e seca é o erro.

Mas por que estou dizendo tudo isso? Simples, pra desmentir uma máxima: jogador de futebol só fala a mesma coisa nas entrevistas. NÃO! Discordo com veemência. O jogador de futebol não precisa nem saber ler. Não é a obrigação dele. Ele tem que saber chutar a bola apenas. O jornalista, profissional teoricamente formado e/ou instruído para exercer tal profissão, é quem deve saber o que perguntar. Perguntem a um jogador se ele caga de porta aberta na casa da namorada e vamos ver se a resposta será aquela mesmice.

Óbvio que o exemplo acima é hipotético e exagerado. Óbvio que se deve perguntar algo relacionado ao jogo, time, treino e afins. MAS AS PERGUNTAS SÃO SEMPRE AS MESMAS. Como é que o coitado do jogador vai responder algo diferente?

Intervalo de jogo: “- E aí Joãozinho, e esse empate parcial. É tentar ir com tudo no 2º tempo pra buscar a vitória?”. O que vocês querem que o pobre do vivente responda? É óbvio que ele vai dizer que “sim, vamos ouvir as orientações do professor no intervalo e voltar com tudo pra buscar o gol na segunda etapa”. É ÓBVIO. Queria que ele dissesse o que? “Não, já era. Tentamos no 1º tempo e por mim tá de bom tamanho. Agora vou pra casa assistir a novela”.

Fim de jogo: “- E a vitória nesse momento decisivo do campeonato, ainda mais com um gol teu, é muito importante? Tá muito feliz?” Não, ele não está feliz. A resposta dele em hipótese alguma começará com a expressão “com certeza”. Óbvio que não. Provavelmente ele dirá que ficou triste, pois a ideia do time era perder, mas infelizmente o coitado fez um gol sem querer e agora vai ter que amargar essa vitória. Seria uma resposta bem diferente.

E já que tô viajando madrugada adentro e ninguém vai ler isso aqui mesmo, vou mais longe: os exemplos acima são uma metáfora da vida. Mazá.

Mas é verdade. Muita gente reclama de respostas iguais, resultados iguais, mas fazem sempre as mesmas perguntas, vão sempre aos mesmos lugares, fazem sempre as mesmas coisas, agem sempre da mesma maneira. Dificilmente iremos conseguir resultados diferentes fazendo coisas iguais. E normalmente culpamos os outros: amigos, namoradas, parentes, chefes, jogadores de futebol.

Eu às vezes busco fazer coisas inusitadas, pra ver se acontece algo inusitado como resposta. E eventualmente acontece. Fica a dica. Se a gente for mais Tadeu Schmidt em nossas vidas, talvez possamos dar belas risadas com as bolas murchas em que nos metermos e esbarraremos cada vez mais com bolas cheias por aí. E isso não foi um trocadilho sexual. A não ser que você seja mulher. Mas como não tem ninguém lendo, você não é mulher. Você sou eu revisando. Então não foi. Obrigado. Boa noite.

Publicado por: lucasvmbs | 5 de junho de 2010

Vamos subir em árvores?

Inspirado no aromatizante cujo a temática é “lembranças da infância”, comecei a pensar em algumas lembranças da minha infância. A propósito, infância me lembra fralda cagada. Um abraço pro pessoal dos aromatizantes.

Sempre defendi a teoria de que devemos ser mais crianças. De que devemos copiar algumas atitudes e pensamentos dessas micro-pessoas.

TUDO que uma criança faz é com o intuito de ser feliz. TUDO. As descobertas diárias, as brincadeiras, TUDO. Ela quer curtir a vida, aproveitar os momentos. Já o adulto se preocupa com todo tipo de bizarrice. O adulto, por exemplo, é capaz de não fazer coisas que tem vontade pensando no que os outros vão pensar. Pensa, portanto, mais na sua imagem a zelar do que na sua felicidade, por exemplo.

Nós adultos perdemos o maravilhoso dom do “foda-se”. Aquele dom que faz com que crianças andem correndo pelo Shopping Center gritando e batendo nas bochechas. Sem se preocupar com a opinião alheia, e fazendo com que seus pais morram de vergonha. O mais incrível é que as crianças estão certas e os pais estão errados. Se deu vontade, por que não fazer? “O que os outros vão pensar? Foda-se”.

Uma coisa que eu adorava fazer na infância e nunca mais fiz é subir em árvores. E modéstia à parte eu era bom nisso. Talvez eu tenha perdido algumas oportunidades de subir em árvores novamente porque já sou um adulto. Imagina que ridículo um marmanjo de 25 anos trepado numa figueira. Ridículo mesmo é o marmanjo ter vontade de fazê-lo e simplesmente ter “vergoínha”.

O simbolismo de subir em árvores vai muito além de ligar o foda-se: é um desafio. A criança vai descobrindo seus limites. Vendo até que ponto (galho) pode chegar. Tenta descobrir o melhor jeito de descer. Desafios que parecem bobos para adultos que se preocupam em ganhar dinheiro, sustentar família, arranjar emprego. Mas que para as crianças é um dos maiores desafios de suas vidas até então.

Mas o mais legal de subir em árvores: ficar alheio ao mundo. Era por isso que eu ADORAVA. Subia até o ponto mais alto que podia e ficava lá em cima, acho que por mais de hora, só observando a vida rolando lá embaixo. Pensando em não-faço-a-mínima-ideia no que. Brincando de ser invisível. Imaginando quando alguém iria sentir minha falta. Será que sentiriam? Parecia que não. Parecia que naquela árvore eu entrava num mundo paralelo de tranqüilidade e solidão, e lá embaixo girava um mundo do qual eu não fazia parte. Essa era a parte genial de subir em árvores. E é justamente o que nós adultos menos temos condições de fazer hoje em dia.

Por mais que não tenhamos vergonha de subir em uma árvore, quando vamos ter essa oportunidade? Na correria da vida adulta, quem tem um tempo livre pra ficar alheio ao mundo em cima de uma árvore? No máximo ficamos minutos alheios ao mundo no sofá, no banho, na academia.

As crianças são fantásticas por isso. Fazem o que querem, quando querem, onde querem. Com um único intuito: se divertir. Ser feliz. O adulto parece que tem umas 15 prioridades antes de ser feliz: pagar as contas, ter uma imagem a zelar, blá blá blá, blá blá blá e blá blá blá. Ás vezes dá vontade de fugir dos problemas – ou pelo menos adiá-los – e subir em alguma árvore. Mas simplesmente não subo.

Acho que eu percebi que não era mais criança agora. E não quando comecei a ter pentelhos, nem quando fiz sexo pela primeira vez, tampouco quando tirei carteira de motorista. Descobri que sou um adulto neste exato momento, quando me dei conta que há anos não subo em uma árvore.

Abraço!

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