Publicado por: lucasvmbs | 2 de fevereiro de 2011

Toca pra quem sabe

Ontem, 1º de fevereiro, foi dia do publicitário. Falando com um amigo sobre o mercado de trabalho, me dei conta de uma coisa bisonha. E não deve ser exclusividade do mercado publicitário, acredito que deva ocorrer em vários outros segmentos: a falta de empenho de empregadores para garimpar bons empregados.

Provavelmente todo mundo conhece alguém muito talentoso desempregado. Ou alguém muito diferenciado que está numa função abaixo de suas capacidades. E isso não significa que vagas boas estejam escassas. Pelo contrário, elas existem e estão abertas, ou ocupadas por profissionais não tão brilhantes.

O mercado é um lixo pra buscar novos talentos. Na publicidade é pior: tem que elaborar um portfólio espetacular, ir arrumado na entrevista, ter carisma, torcer para que o entrevistador tenha simpatizado contigo, e tudo isso para TALVEZ te chamarem pra mais uma conversa. Eu já sou meio contra essa coisa de análise friamente por portfólio, currículo, etc. Acho que uma boa conversa de meia hora já me faria conhecer muito mais a pessoa, mas ok, isso é outro papo.

A questão é que um rapaz talentoso tem que se matar pra conseguir entrar numa agência grande. É como se o Pelé tivesse que se esforçar ao extremo pra conseguir jogar num time. Como se ele tivesse que fazer 20 testes pra provar que é bom mesmo. E ainda correria o risco de ser dispensado, caso no teste final protagonizasse o lance do “gol que o Pelé não fez”.

Fico indignado com isso porque o Pelé foi melhor para o Santos do que o Santos para o Pelé. Se o Santos o rejeitasse, ele jogaria em qualquer outro time e seria igualmente genial. Com profissionais qualificados é o mesmo: as agências agem como se tivessem fazendo um favor ao contratar alguém, sujeitam os candidatos aos mais severos critérios de avaliação. No fim, quando aprovados, os pobres funcionários vibram: “consegui! Estou na Agência XYZ!”. Como se fosse uma vitória. Mas na verdade a agência XYZ é quem deveria vibrar por ter contratado o sujeito talentoso em questão.

Enfim, sempre vi nesse meio publicitário muita onda, muito ego, muita dificuldade pra se entrar no mercado. Se a pessoa tem um portfólio maravilhoso (que pra mim não diz muita coisa), tem experiências em outras agências, e ainda por cima tem alguém pra lhe indicar, ainda assim o caminho será árduo. Sem algum desses itens então, esquece. Por mais que tu sejas um Pelé. Esquece. E seja agência, vaga pra marketing de alguma empresa, ou o que for: provavelmente nem vão responder ao teu e-mail esmerado que enviaste com o currículo em anexo. Consideração zero.

Já que estou usando o exemplo do futebol, por que as agências não criam algo como as categorias de base? Mesmo intuito: garimpar talentos. Sei lá, cria uma agência júnior, pra atender a clientes microscópicos, ou causas sociais, e coloca uma gurizada lá que está entrando na faculdade. Sem muito teste, é só se inscrever e responder a meia dúzia de perguntas. Pronto. Aí deixa um pessoal acompanhando essa galera e avaliando o trabalho deles. Os que se destacarem entram na agência. Algo do tipo, sei lá, to viajando aqui.

Muitos diriam que é um gasto excessivo. Pode ser. Mas de repente, com isso, tua agência terá o maior número de talentos por metro quadrado no país, e isso irá gerar mais e mais receita pra ti num futuro não muito distante. O talento é o principal bem de uma agência de propaganda, e ele é apenas alugado. Não é o prédio e nem os computadores. O que gera dinheiro para a agência são as mentes criativas. E só se investe em prédios e computadores melhores. Não tá errado isso?

Abraço!

PS: eu contrataria esse cara do vídeo abaixo. Nenhum portfólio me convenceria tanto, talvez.

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Responses

  1. Cara, o que tu pede já existe nas agências. Já existe um sistema de seleção que garimpa talentos – quando o cara é mto foda, se dá um jeito de botá-lo na agência – e uma “categoria de base” – os estagiários.

    A questão é que “ser bom” ou “ser talentoso” é mto diferente de “ser tecnicamente bom”. Muito pouca gente entende isso. O cara tem uma direção de arte foda, mas faz beiço pra ficar até tarde. Esse cara pensa que é bom, mas é um péssimo assistente. São poucos os bons nos dois sentidos. E esses estão nas agências grandes. 🙂


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