Publicado por: lucasvmbs | 5 de junho de 2010

Vamos subir em árvores?

Inspirado no aromatizante cujo a temática é “lembranças da infância”, comecei a pensar em algumas lembranças da minha infância. A propósito, infância me lembra fralda cagada. Um abraço pro pessoal dos aromatizantes.

Sempre defendi a teoria de que devemos ser mais crianças. De que devemos copiar algumas atitudes e pensamentos dessas micro-pessoas.

TUDO que uma criança faz é com o intuito de ser feliz. TUDO. As descobertas diárias, as brincadeiras, TUDO. Ela quer curtir a vida, aproveitar os momentos. Já o adulto se preocupa com todo tipo de bizarrice. O adulto, por exemplo, é capaz de não fazer coisas que tem vontade pensando no que os outros vão pensar. Pensa, portanto, mais na sua imagem a zelar do que na sua felicidade, por exemplo.

Nós adultos perdemos o maravilhoso dom do “foda-se”. Aquele dom que faz com que crianças andem correndo pelo Shopping Center gritando e batendo nas bochechas. Sem se preocupar com a opinião alheia, e fazendo com que seus pais morram de vergonha. O mais incrível é que as crianças estão certas e os pais estão errados. Se deu vontade, por que não fazer? “O que os outros vão pensar? Foda-se”.

Uma coisa que eu adorava fazer na infância e nunca mais fiz é subir em árvores. E modéstia à parte eu era bom nisso. Talvez eu tenha perdido algumas oportunidades de subir em árvores novamente porque já sou um adulto. Imagina que ridículo um marmanjo de 25 anos trepado numa figueira. Ridículo mesmo é o marmanjo ter vontade de fazê-lo e simplesmente ter “vergoínha”.

O simbolismo de subir em árvores vai muito além de ligar o foda-se: é um desafio. A criança vai descobrindo seus limites. Vendo até que ponto (galho) pode chegar. Tenta descobrir o melhor jeito de descer. Desafios que parecem bobos para adultos que se preocupam em ganhar dinheiro, sustentar família, arranjar emprego. Mas que para as crianças é um dos maiores desafios de suas vidas até então.

Mas o mais legal de subir em árvores: ficar alheio ao mundo. Era por isso que eu ADORAVA. Subia até o ponto mais alto que podia e ficava lá em cima, acho que por mais de hora, só observando a vida rolando lá embaixo. Pensando em não-faço-a-mínima-ideia no que. Brincando de ser invisível. Imaginando quando alguém iria sentir minha falta. Será que sentiriam? Parecia que não. Parecia que naquela árvore eu entrava num mundo paralelo de tranqüilidade e solidão, e lá embaixo girava um mundo do qual eu não fazia parte. Essa era a parte genial de subir em árvores. E é justamente o que nós adultos menos temos condições de fazer hoje em dia.

Por mais que não tenhamos vergonha de subir em uma árvore, quando vamos ter essa oportunidade? Na correria da vida adulta, quem tem um tempo livre pra ficar alheio ao mundo em cima de uma árvore? No máximo ficamos minutos alheios ao mundo no sofá, no banho, na academia.

As crianças são fantásticas por isso. Fazem o que querem, quando querem, onde querem. Com um único intuito: se divertir. Ser feliz. O adulto parece que tem umas 15 prioridades antes de ser feliz: pagar as contas, ter uma imagem a zelar, blá blá blá, blá blá blá e blá blá blá. Ás vezes dá vontade de fugir dos problemas – ou pelo menos adiá-los – e subir em alguma árvore. Mas simplesmente não subo.

Acho que eu percebi que não era mais criança agora. E não quando comecei a ter pentelhos, nem quando fiz sexo pela primeira vez, tampouco quando tirei carteira de motorista. Descobri que sou um adulto neste exato momento, quando me dei conta que há anos não subo em uma árvore.

Abraço!

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Responses

  1. CENSURA
    CENSURA
    CENSURA

  2. Opa Lucas, muito bom seu blog! Cara, eu tô com 24 anos e subo em árvores quando fico lagarteando perto de uma boa árvore para escalar.

    Fazia anos que não subia em árvores, e um ano e meio atrás vi uma árvore na redenção tão convidativa, era domingo, cheio de gente no parque. Estava eu e mais alguns amigos embaixo de uma árvore. Fiquei um tempo refletindo se subia ou não, mas além da improvável queda, não havia nenhum motivo racional para não escalar. Tirei os tênis e subi. Recomendo! É ótimo ligar o foda-se!


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